Você já parou para pensar em como o seu corpo conta a história da sua vida? Ele
reflete nossas emoções, rotinas, desafios e até as condições do ambiente em que
vivemos. Quando falamos em sobrepeso e obesidade, não estamos tratando
apenas de um número na balança, mas de uma realidade que afeta a maioria dos
brasileiros.
No mês de março, tivemos o Dia Mundial da Obesidade, uma data para
conscientização sobre um problema que vai muito além das escolhas individuais.
Muitas vezes, ouvimos que emagrecer depende apenas da força de vontade, mas a
realidade é bem diferente. Nossa saúde não se resume apenas ao que colocamos
no prato, ela também é moldada pelo ambiente que nos cerca.
Atualmente, 68% da população brasileira já está acima do peso, com as
mulheres sendo especialmente impactadas. Mas por que isso acontece? Não se
trata apenas de “comer menos e se exercitar mais”. A obesidade é influenciada por
fatores hormonais, emocionais, sociais e econômicos. Desde a sobrecarga mental
que muitas mulheres enfrentam, passando pela falta de tempo para cuidar da
alimentação, até a pressão estética que nos empurra para dietas extremas e o efeito
sanfona.
E, enquanto o peso na balança aumenta, aumenta também o julgamento. Fomos
condicionadas a ver o nosso corpo como algo a ser corrigido, mas é fundamental
compreender que a obesidade é uma questão de saúde pública. Os desafios do
sobrepeso e da obesidade vão muito além da estética – eles dizem respeito à nossa
saúde. E saúde não se constrói com culpa e julgamento, mas com informação,
suporte e acesso a um tratamento humanizado.
Se queremos mudanças reais, precisamos de políticas públicas que promovam
um ambiente mais saudável para todas nós. Precisamos de uma sociedade que
incentive o acesso à alimentação nutritiva, que facilite a prática de atividade física e
ofereça um tratamento que respeite e acolha cada indivíduo de forma
individualizada.
Enquanto cobramos essas mudanças, também podemos agir juntas. Vamos trocar
experiências, apoiar umas às outras e criar um novo olhar para o autocuidado – um
olhar mais gentil, sem cobranças impossíveis, sem culpas e sem soluções mágicas.
Que tal começarmos com pequenas ações no dia a dia, buscando grupos de apoio,
compartilhando informações úteis e transformando nosso ambiente?
A obesidade é um desafio coletivo, e a mudança também precisa ser. Vamos juntas
transformar esse cenário?