Por Carolina David
Quem convive com crianças pequenas sabe dos riscos de acidentes domésticos! Pode parecer que os pequenos estão ativamente procurando novas formas de se machucarem. Os responsáveis buscam constantemente por alternativas para tornar a casa “à prova de crianças”. Porém, comumente, o vestuário é excluído deste movimento de proteção – mesmo que ele ocasione acidentes, inclusive fatais.
Para começar, é importante mencionar que existe sim uma norma de segurança para roupas infantis. No Brasil, é a NBR 16365/2015 que orienta medidas de segurança para o mercado. Entretanto, a norma, que completou a sua primeira década neste ano, não é uma obrigatoriedade, apenas uma orientação. Em outras palavras, nem todas as empresas seguirão com as recomendações descritas. Por isso a importância dos pais e responsáveis estarem atentos aos perigos escondidos nas roupas das crianças,
O primeiro fator de risco é o capuz. Vamos imaginar o cenário: uma criança está brincando num escorregador e, ao escorregar, seu capuz fica preso no brinquedo. Não parece completamente improvável, certo? Existem registros de acidentes em parquinhos, em escolas e até em provadores de lojas, resultando no falecimento de várias crianças. Pelo mesmo motivo, cordões na região do pescoço, fitas e tiras devem ser evitados a todo custo (a não ser que sejam menores do que cinco centímetros, segundo a NBR)!
Outro elemento de atenção são os trajes de piscina. A orientação dos salva-vidas é que maiôs e calções não sejam adquiridos em cores como o azul e o verde, pois dificultam a localização da criança em caso de afogamento. Cores fortes e brilhantes como o rosa, o laranja, o amarelo e o vermelho são as mais indicadas.
Botões são outro elemento de atenção: devem sempre estar bem presos e resistirem a testes de arrancamento. Afinal, caso algum botão se solte, pode ser engolido pela criança – e dependendo da idade do pequeno, o tamanho do botão pode resultar num quadro de sufocamento.
Existem outras recomendações que saem do campo da letalidade, mas que podem evitar ferimentos. É o caso das lantejoulas, que não devem existir em roupas para bebês. Mesmo para crianças maiores, até os três anos de idade, elas podem arranhar a pele, se soltarem (e retoma-se o risco de ingestão) ou quebrarem, podendo perfurar ou cortar. Zíperes, por exemplo, devem ter um acabamento especial na região do pescoço, para evitar lesões na pele. Etiquetas devem ser feitas de cetim ou silkadas na peça, para evitar irritações e cortes.
Apesar dos tecidos não serem contemplados na NBR, pediatras e profissionais da moda recomendam atenção à composição, principalmente em roupas para crianças até os três anos de idade, sendo o cuidado redobrado quando falamos de recém-nascidos.
Recomenda-se tecidos feitos com fibras naturais, como o algodão e a lã antialérgica. As fibras naturais são mais respiráveis, proporcionando conforto térmico e evitando o acúmulo de suor, que pode causar assaduras. As fibras artificiais e sintéticas também passam por processos químicos que podem gerar
alergias em peles muito sensíveis. Sempre verifique a composição na etiqueta: no mínimo, a peça deve ter 50% de fibras naturais na composição, porém o ideal são porcentagens mais altas. Tecidos com poliéster e acrílico, por exemplo, não devem entrar em contato direto com a pele.
Estas são algumas das principais precauções quando falamos de vestuário infantil. Além da estética, é preciso observar a praticidade, o conforto e a segurança das peças para que nossas crianças possam explorar o mundo e se desenvolver adequadamente, sem riscos – e com muito estilo.























