A revolução da maternidade real

Tem sido constante a bandeira da “desromantização” da maternidade. No mundo digital, a comunicação é mais fácil, mais abrangente, e começamos a ver pessoas de todos os lugares do mundo expondo seus desafios sendo mães. Mas, não foi ele, o próprio amor, que nos trouxe até aqui?

O problema, em si, não é “romantizar a maternidade”. O problema é quando escondemos os sentimentos pensando que estamos fazendo um bem maior, omitimos informações verdadeiras para não nos sentirmos menosprezadas, recusamos a enxergar que as batidas na porta, significam que existe alguém ali. Quando falamos nos malefícios da romantização, eles são devidos a todas as expectativas irreais que ela traz. A prática é outra. E isso vem acompanhado de (muita) culpa e decepção.

Todas nós sabemos o quanto é exaustivo, quanta pressão é feita em cima de nós, quantas noites são intermináveis… e depois, seu filho acorda e abre aquele sorriso, e você entende que o amor está ali o tempo todo.

E se nos abríssemos para compartilhar as nossas vulnerabilidades, imperfeições, e ainda assim, nossos momentos de alegria, da vida real?

Como muitas de vocês, eu busquei a ilusão da maternidade perfeita. E pensei que o sucesso se parecia com uma camiseta sem manchas de leite, uma xícara de café ainda quente e a sala da casa organizada. “Os filhos das boas mães dormem a noite inteira, se alimentam do que elas querem e não fazem birra”, eu pensava. E as fotos deles na rede social confirmam isso, certo? A roupa branca das crianças está impecável enquanto cozinhamos muffins saudáveis de blueberry na cozinha indescritivelmente organizada. Ninguém está cansado ou fora de sintonia.

E então, eu compreendi. Essa é a imagem que projetamos do mundo. É como gostaríamos que fosse. E quanto mais perpetuamos esse conceito, mais queremos que essa fantasia se torne o dia a dia. Mas, com nossos pequenos, não é bem assim. E não precisa ser! Onde está a sua autenticidade, em saber que você pode fazer uma sessão de fotos bem pensada, detalhada, e no final do dia, quando as coisas não saírem exatamente como o planejado, enxergar que ainda assim, deu tudo certo?

É disso o que precisamos. Um senso de satisfação, na natureza (im)perfeita da maternidade, com todas as suas vulnerabilidades, dificuldades e graciosidades da vida cotidiana.

Bruna Thalita

Bruna Thalita

Bruna Thalita tem 27 anos, e tem se descoberto uma mente multipotencial. É advogada, historiadora por formação, empreendedora desde muito nova e escritora por paixão e necessidade.

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