O Vestido de Noiva Sempre foi Branco?

Por Carolina David

Quando você pensa em um vestido de noiva, qual a primeira coisa que lhe vem à mente?

Para a maioria da população ocidental, uma noiva é identificada por um belo vestido na cor branca. Silhuetas, tecidos e acabamentos são todos elementos secundários na identificação da futura esposa e a cor representa a tradição do traje. Porém, não foi sempre que as mulheres adotaram o branco para o seu dia especial.

Antigamente, as noivas vestiam-se de vermelho, dourado, verde e até preto. Num contexto histórico e social em que o casamento representava uma aliança estratégica, movimento mais político do que romântico, o principal intuito do traje da noiva era enaltecer o status das famílias e expor a riqueza dos parentes da noiva. Neste caso, as cores do vestido costumavam representar as cores presentes nos brasões familiares, mas este não era um fator tão relevante quanto a beleza e a luxuosidade da peça.

No séc. XVI, a rainha Mary Stuart da Escócia casou-se de branco, em homenagem à família da mãe, os Guise, cujo brasão possuía a cor. Já no séc. XVII, a rainha Maria de Médice casou-se com um modelo branco com fios dourados. Historiadores acreditam que a escolha foi um protesto à estética religiosa da época, que privilegiava a cor escura.

Foi só no séc. XVIII que a moda do vestido branco realmente entrou em voga – e a responsável por isso foi Josefina Bonaparte: para a cerimônia de coroação de Napoleão, os trajes utilizados por ele e Josefina foram confeccionados em suntuosos tecidos brancos, para simbolizar clareza, bondade e iluminação. Vestidos brancos também eram uma grande tendência na época, inspirados na cultura greco-romana.

Acontece que a dupla ainda não era casada e o Papa se recusou a coroá-los sem o devido matrimônio. Desta forma, o casamento ocorreu ali mesmo. Problema resolvido! Involuntariamente, o vestido de coroação de Josefina acabou se tornando o próprio vestido de noiva da Imperatriz e estabeleceu uma das tendências de moda mais fortes e duradouras.

No séc. XIX, a Rainha Vitória também aderiu ao vestido branco para celebrar sua união com o Príncipe Albert. A união foi retratada como um casamento por amor, dando uma conotação romântica ao vestido branco. Entretanto, a escolha da Rainha foi altamente estratégica: como chefe de Estado, com os negócios em mente, ela queria apoiar e estimular a indústria de renda britânica. Artesãs habilidosas enfrentavam a pobreza devido à invenção dos teares mecânicos; então ela escolheu uma grande peça de renda feita à mão, e o branco era a melhor cor para exibir o trabalho.

Foi após o casamento da Rainha Vitória que o branco se popularizou de vez, tornando-se elemento indispensável nos casamentos.

A simbologia da pureza associada ao traje branco também consolidou-se no séc. XIX, com os três relatos de aparição de Nossa Senhora onde, em todos, ela vestia-se de branco. A partir deste momento, a cor passou a representar a castidade da noiva.

Atualmente, não é toda noiva que utiliza o branco (ou as variantes marfim, off-white e gelo) como símbolo de sua pureza. A cor tornou-se tradicional e seu uso é um símbolo de passagem que tantas mulheres elegem para seu grande dia.

Seja por desejo, tradição ou simbologia, ao que tudo indica o vestido branco não sairá de cena tão cedo permanecerá como uma peça especial do guarda-roupa feminino!

Carolina David Carol David

Carolina David Carol David

Carolina David é bacharela em moda e já atuou com comunicação, desenvolvimento de produto, figurinos, consultoria de imagem e, atualmente, é pesquisadora e mestranda em Educação, Arte e História da Cultura.

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