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	<title>ter &#8211; Revista Revolution</title>
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		<title>O desejo de ter e o tédio de possuir: uma reflexão sobre a condição humana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fátima Aquino]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Aug 2025 18:00:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[condição humana]]></category>
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					<description><![CDATA[Existe algo profundamente humano no desejo.Desejamos aquilo que não temos, aquilo que acreditamos que nos trará sentido, preenchimento, status ou felicidade.O desejo, como já dizia Schopenhauer, é o motor da existência, uma força incessante que nos impulsiona, mas que também nos condena a uma eterna insatisfação. Mal conquistamos o objeto do desejo e ele já [&#8230;]]]></description>
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<p>Existe algo profundamente humano no desejo.<br>Desejamos aquilo que não temos, aquilo que acreditamos que nos trará sentido, preenchimento, status ou felicidade.<br>O desejo, como já dizia Schopenhauer, é o motor da existência, uma força incessante que nos impulsiona, mas que também nos condena a uma eterna insatisfação. Mal conquistamos o objeto do desejo e ele já não nos basta. Surge o tédio. A posse esvazia o encanto.<br>E assim vamos caminhando, equilibrando a vida entre o desejo de ter e no tédio de possuir.<br></p>



<p>Na clínica, essa dinâmica aparece frequentemente: pessoas que lutaram por uma carreira, um relacionamento, uma conquista material e que, ao alcançá-los, se veem tomadas por uma sensação de vazio, de desorientação. “Era isso?”, se perguntam.<br></p>



<p>A filosofia nos ajuda a compreender esse paradoxo. Epicuro, por exemplo, já alertava para a distinção entre desejos naturais e necessários, e desejos vãos.<br>Se prestarmos atenção podemos perceber que a maioria dos nossos desejos, especialmente os moldados pelo consumo e pela comparação social, são fabricados, prometem prazer, mas entregam frustração. São eles que nos mantêm num ciclo de busca incessante, mas sem direção existencial. São eles que geram a grande parte das nossas ansiedades.<br></p>



<p>Na psicanálise, o desejo é entendido não como algo que se satisfaz plenamente, mas como algo que estrutura o sujeito. Lacan nos lembra que o desejo é o desejo do Outro.<br>Desejamos ser desejados, aceitos, reconhecidos. E por trás de cada objeto de desejo há um apelo mais profundo, o de sermos amados, de pertencermos, de termos um lugar no mundo e também no mundo de alguém.<br></p>



<p>O problema é que confundimos o valor das coisas com o valor da vida. Acreditamos que a posse trará sentido, mas o sentido raramente está naquilo que acumulamos.<br>Está nos vínculos, na experiência, na consciência de estarmos presentes no agora. O tédio que segue a posse é um sinal de que não é o objeto que nos faltava, mas um encontro mais profundo com o que realmente importa.</p>



<p></p>



<p>Essa reflexão nos convida a rever nossas prioridades:<br>O que temos desejado?<br>O que estamos colocando no centro da nossa existência?<br>O que estamos sacrificando em nome de conquistas que, no fundo, não conversam com o que somos?<br>O que realmente importa?</p>



<p>Talvez a vida peça menos acúmulo e mais presença, menos idealizações e mais verdade. Menos corrida e mais pausa. Porque, no fim, não se trata apenas do que temos, mas de quem nos tornamos enquanto desejamos. E, principalmente, do que cultivamos em nós quando o desejo cede espaço à reflexão e o tédio, à consciência.<br></p>



<p>Com carinho!<br>Fátima Aquino<br>Psicóloga Clínica</p>
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