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	<title>Luiza Trajano &#8211; Revista Revolution</title>
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		<title>Entrevista Luiza Trajano</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Nov 2025 01:33:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
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<p><strong>Luiza, você construiu uma das maiores histórias do varejo brasileiro. Qual foi o momento decisivo em que você percebeu que estava destinada a algo muito maior do que somente administrar a empresa?</strong></p>



<p>Sempre fomos uma família voltada para o trabalho, nunca a ser a maior, ou a ficar comparando outros para crescimento, mas, fizemos nosso trabalho dia a dia e o crescimento foi algo natural, sempre nos estruturando para isso e cuidando para não perdermos nossa essência. Além disso sempre trabalhei de forma intensa além da empresa, em entidades, ongs e associações, e, com o Grupo Mulheres do Brasil, criado em 2014 e que hoje conta com mais de 135 mil mulheres, procurei dar minha contribuição para criar políticas públicas que possam melhorar a desigualdade social no Brasil.</p>



<p><strong>O Magazine Luiza nasceu de uma mulher empreendedora, sua tia. Qual a importância de valorizar essa herança feminina e como você acredita que as mulheres podem honrar e expandir seus próprios legados?</strong></p>



<p>Minha tia Luiza foi pioneira, visionária e corajosa, ela sempre teve esse espírito empreendedor. Ela abriu caminho em um tempo em que mulheres não eram incentivadas a empreender. Valorizar essa herança é honrar todas as mulheres que vieram antes de nós. E expandir esse legado é ter consciência de que o que fazemos hoje precisa inspirar as próximas gerações. Cada mulher que ocupa espaço de liderança abre portas para outras. É assim que construímos um círculo virtuoso.</p>



<p><strong>Quais foram os momentos mais desafiadores da sua jornada e como você se manteve firme, sem desistir, mesmo quando tudo parecia difícil?</strong></p>



<p>Passei por várias crises, desde a inflação alta, planos econômicos, concorrência acirrada, a transformação digital, a pandemia. O que me manteve firme foi acreditar profundamente no Brasil, nas pessoas e na força do trabalho em equipe. Sempre digo que não adianta reclamar de governo ou de crise: temos que agir. Essa crença em agir coletivamente me deu energia para não desistir.</p>



<p><strong>Você é reconhecida pelo estilo de liderança próximo, humano e inspirador, sempre valorizando o cliente e o funcionário. Qual é o segredo para liderar com firmeza e, ao mesmo tempo, com tanto afeto?</strong></p>



<p>O segredo é simples: tratar os outros como eu gostaria de ser tratada. Esse é o lema que está no crachá de todos os nossos colaboradores. Liderar com firmeza não significa ser autoritária, mas ter clareza de propósito e coerência entre discurso e prática. O afeto não enfraquece a liderança, pelo contrário, fortalece. Pessoas motivadas e respeitadas dão o melhor de si.</p>



<p><strong>O que significa para você, hoje, ser uma mulher que influencia não só no mundo dos negócios, mas também no social e no político, através de iniciativas como o Grupo Mulheres do Brasil?</strong></p>



<p>Significa responsabilidade. O Grupo Mulheres do Brasil nasceu para atuar em causas que vão muito além de nós mesmas: educação, saúde, combate à violência, igualdade racial, inclusão social. Eu acredito que a sociedade civil organizada tem poder de transformação. E quando mulheres se unem pensando no coletivo, conseguimos avançar muito.</p>



<p><strong>Mulher, mãe, empresária, líder social… Como você equilibra tantos papéis sem perder sua essência pessoal?</strong></p>



<p>Não existe fórmula mágica. Eu me organizo, delego muitas tarefas e também fico inteira a cada um dos momentos, isso ajuda a focar. Também nunca abri mão da minha essência: continuo sendo a mesma Luiza que gosta de estar perto das pessoas, ouvir e aprender. Isso me equilibra.</p>



<p><strong>Na sua visão, qual é o maior obstáculo que ainda impede as mulheres brasileiras de ocuparem espaços de liderança?</strong></p>



<p>O maior obstáculo é cultural. Vivemos em uma sociedade que ainda associa liderança ao masculino e que coloca muitas barreiras para a mulher. Falta oportunidade, falta apoio, e sobra preconceito. Por isso, precisamos trabalhar pela equidade: dar condições iguais para que mulheres e homens possam concorrer em pé de igualdade. Isso vale para política, para empresas e para todos os setores. Conseguimos um marco recente dessa luta, com a aprovação da lei de equidade em conselhos de administração em empresas públicas, que, certamente irá influenciar também nas empresas privadas.</p>



<p><strong>O Grupo Mulheres do Brasil vem impactando milhares de vidas. O que você aprendeu com essa experiência coletiva que talvez nunca teria aprendido apenas no mundo corporativo?</strong></p>



<p>Aprendi a força do voluntariado e da colaboração. No mundo corporativo, falamos muito de resultado, de metas. No Grupo Mulheres do Brasil, aprendi que quando nos unimos sem esperar nada em troca, apenas pelo bem comum, o impacto é ainda maior. Vi mulheres simples e extraordinárias transformarem comunidades inteiras. Isso é inspirador.</p>



<p><strong>O Magazine Luiza é conhecido pela inovação, vocês foram muito rápidos em ajudar pequenas empresas a digitalizarem com a criação do marketplace. Qual conselho você daria para mulheres que desejam inovar, mas ainda não têm todos os recursos que gostariam?</strong></p>



<p>Inovação não é só tecnologia. É olhar para um problema e buscar uma solução diferente. Meu conselho é: comece com o que você tem. Não espere ter tudo perfeito para dar o primeiro passo. Muitas vezes, a limitação de recursos é o que estimula a criatividade. E, principalmente, não tenha medo de errar, pois o erro faz parte do processo.</p>



<p><strong>Se você pudesse deixar apenas uma mensagem para as mulheres que hoje leem a Revolution, qual seria a frase ou ensinamento que gostaria que ficasse gravado no coração delas?</strong></p>



<p>Eu diria: “Acredite em você e nunca pare de sonhar grande. O mundo precisa da sua força, do seu talento e da sua coragem.”</p>



<p><strong>Qual foi a decisão que você tomou ao longo da sua trajetória que mudou tudo e que, olhando para trás, você reconhece como um divisor de águas?</strong></p>



<p>Eu não vejo uma única atitude como divisora de águas, mas sim, um conjunto de decisões que são necessários no dia a dia, ainda mais no varejo, onde é necessário redirecionar planejamentos e estratégias a todo momento.</p>



<p><strong>O que você diria hoje para aquela mulher que está se sentindo sobrecarregada, desacreditada ou com medo de sonhar alto demais?</strong></p>



<p>Que respire fundo, olhe para trás e veja o quanto já conquistou. Às vezes, esquecemos da nossa própria força. Ninguém realiza nada sozinho, então busque apoio, converse, peça ajuda. E nunca acredite que seu sonho é grande demais. O impossível só existe até alguém ir lá e fazer.</p>
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