Por Ana Laura Guimarães
Até pouco tempo a cachaça era tida como bebida de homem. Mulher que gostasse de cachaça era malvista, mal falada e julgada. De modo que, mesmo gostando de cachaça as mulheres se privavam e escondiam seu bem querer pela branquinha. Os tempos mudaram e hoje a mulher, mais ciente dos seus direitos, preferências e importância na sociedade, usufrui com liberdade seu direito de escolha. Custou, mas esse é um caminho sem volta, a mulher arbitrar sua própria vida. Faz suas escolhas, sem tanta importância dar às opiniões alheias, se permite experienciar. Nesse contexto observamos um número cada vez maior de mulheres que assumem gostar de cachaça, e ter no nosso destilado nacional sua bebida alcoólica preferida.
As Histórias Encantadoras da Cachaça
Antes mesmo de servir a cachaça para uma observação de sua cor, brilho, translucidez e beleza das lágrimas – características visuais comuns às cachaças de qualidade. Ou mesmo sentir no olfato seu agradável aroma e sua riqueza sensorial na boca, a mulher em via de regra se encanta pela história da cachaça. Afinal cada produto é único, e vem embalado em uma boa história, repleta de curiosidades. Ocorre que as mulheres gostam de conhecer essas histórias, saber dos detalhes, quem fez a cachaça, como, onde e quando foi feita. São esses e muitos outros aspectos que tornamainda mais rica, prazerosa e inesquecível, a experiência de degustar uma boa cachaça.
Com o aumento da preferência das mulheres pela cachaça, muitas possibilidades passam a ser mais consideradas: servir cachaça na taça e em copos diferentes, degustar a cachaça gelada, com pedrinhas de gelo, e nos coquetéis. Cachaça sendo mais e mais usada como ingrediente na culinária, e também como protagonista em experiências de harmonização, com os mais diversos e inimagináveis acompanhamentos.
Beber Menos e Beber Melhor
Mulher é exigente e leva a sério a máxima “beber menos e beber melhor”. Ou seja, se outrora a cachaça era muito associada aembriagues, ao descontrole, a mulher está contribuindo efetivamente para recontextualizar o consumo dessa bebida brasileira. Mulher gosta de cachaça de excelência e ao falar de suapredileção ajuda muito a tornar a cachaça mais conhecida e sua degustação ser feita com responsabilidade e moderação. Afinal, estamos falando de um destilado, como tantos outros, que tem uma alta graduação alcoólica – no caso da cachaça de 38% a 48%.
Nesse cenário de maior participação das mulheres, os produtores cada vez mais pesquisam maneiras de atrair esse novo público, procurando descobrir como chamar sua atenção e ganhar sua preferência.
Inovar para Conquistar
A evolução do setor nos últimos quinze anos foi colossal. Não só no que tange a evolução da qualidade dos produtos propriamente ditos, que podem ter sua excelência atribuída a um melhor manejo do canavial; um maior cuidado no tratamento do caldo, para uma fermentação mais adequada; uma destilação mais precisa, e no investimento em recipientes de maior qualidade, para o armazenamento e envelhecimento da cachaça. Também aspectos que envolvem a comercialização das cachaças passaram a ser pontos de maior atenção: garrafas, rolhas, rótulos, caixas. O visual das cachaças nunca foi tão caprichado. O apuro estético é fator de decisão de compra, em um mercado muito competitivo, que tem, de acordo com o Anuário da Cachaça 2025, mais de 7 mil rótulos com registro no MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).
Os consumidores são ávidos por novidades e os produtores e masters blenders estão se superando e trazendo para o mercado muita inovação, principalmente no que se refere a produtos com maior valor agregado e complexidade sensorial. Como exemplo cito a Cachaça Thon Lopes, que chegou ao mercado há quase dois anos e já conquistou uma parcela fiel de consumidores. Um blend de quatro madeiras muito equilibrado e bem elaborado: Carvalho, Amburana, Castanheira e Balsamo. Sua cor é de um dourado intenso, que chama a atenção e agrada muito, além de fazer uma composição perfeita com a embalagem. No aroma se destacam notas de frutas maduras, o adocicado e o amadeirado. Em boca uma cachaça lisa e aveludada, com retrogosto persistente. Esse produto tem 39% de graduação alcoólica e baixa acidez, o que a torna fácil de ser bebida e adequada à conquista de novos apreciadores…
Uma Mulher da Cachaça
Há bastante tempo sou uma mulher da cachaça, não só porque aprecio verdadeiramente esse destilado, mas também porque me tornei uma estudiosa da cachaça. Ocupo-me em contribuir profissionalmente para a difusão da cultura cachaceira, através do Cachaciê – uma plataforma de comunicação cachaceira, que criei há mais dez anos, para trazer ao conhecimento dos consumidores informações relevantes e seguras sobre produtos, destilarias, produtores, cursos e concursos; turismo da cachaça, feiras, festivais, e eventos sobre cachaça e/ou nos quais tem a presença da cachaça.
Nessa minha jornada cachaceira tenho aprendido muito sobre brasilidade, a partir das experiências com esse destilado tão saboroso, que desde os tempos do Brasil Colônia é produzido, e que ainda precisa ser descoberto pela maioria dos brasileiros.
Uso minha voz de mulher para contar, do meu jeito, as histórias dessa bebida tão popular, que vem se destacando em muitos concursos dentro e fora do Brasil e conquistando por onde passa, a preferência dos consumidores 18+.
Te convido a degustar uma boa cachaça, e maratonar o conteúdo do Cachaciê, seja no canal do YouTube, no Instagram, Face Book ou TikTok. Sirva-se de uma boa cachaça, e vem comigo…
Ana Laura Guimarães
Criadora do Cachaciê (@cachacie), sommelier e especialista em cachaça, membro e co-fundadora da Confraria ConVida – Mulheres da Cachaça, Bacharel em Relações Públicas, com Pós-Graduação em Marketing.
























