A mídia, os padrões estéticos e autocuidado: uma reflexão para o dia da Mulher

Quantas vezes você já se sentiu pressionada a mudar seu corpo? Um estudo
publicado em 2022 pelo Brazilian Journal of Development mostrou que, por volta
dos 15 anos, 74% das adolescentes já estão insatisfeitas com o seu corpo,
influenciadas especialmente pela mídia. Basta um simples rolar de tela nas redes
sociais e a mensagem parece clara: ser mulher está diretamente ligado a caber em
um padrão estético inalcançável. Corpos “perfeitos”, dietas da moda e a promessa
de felicidade vinculada à perda de peso são narrativas que a mídia sustenta há
anos.
Não estou dizendo que querer cuidar do corpo ou buscar mudanças seja algo
negativo. Pelo contrário, cuidar de si, buscar se sentir bem com o próprio corpo é
completamente válido. O problema surge quando essa busca se transforma em uma
constante comparação, acompanhada de autocríticas duras e da crença equivocada
de que a nossa felicidade depende de alcançar um corpo “ideal”. Essa pressão
contínua, em vez de promover o autocuidado, acaba gerando insatisfação e
frustração.
Essa pressão afeta também a nossa relação com a comida. Comer, que deveria ser
um momento de prazer, frequentemente se torna uma batalha marcada pela culpa e
por restrições desnecessárias. Comentários aparentemente simples – como
“menina bonita não come isso” ou “tem que se controlar para não engordar” –
podem deixar marcas profundas na forma como percebemos nossa alimentação e
nosso corpo, acompanhando-nos por toda a vida.
Nesse dia da Mulher, convido você a repensar essa relação. E se, ao invés de ver a
alimentação como um fardo, passássemos a encará-la como um ato de
amor-próprio? Imagine a diferença de substituir um lanche industrializado por um
sanduíche natural, não por imposição ou culpa, mas porque você reconhece que
está oferecendo ao seu corpo o cuidado e nutrição que ele merece. E se, em vez de
nutrir sentimentos negativos em relação ao seu corpo, você optasse por valorizá-lo
exatamente como ele é?
Amar o próprio corpo não significa se entregar ao conformismo. Pelo contrário,
significa reconhecer que você merece se cuidar não porque precisa atingir um
padrão, mas porque seu corpo é seu lar, e você merece sentir-se bem nele.
Encarar a alimentação como um espaço de autocuidado significa respeitar cada
etapa do seu processo, seja na busca por emagrecimento, no ganho de massa ou
na manutenção da saúde.
Optar por uma alimentação consciente, sem se prender a comparações, é um passo
rumo à liberdade. Uma sugestão prática é fazer uma pausa antes de cada refeição,
observar atentamente o aroma, as cores e a textura dos alimentos, e se perguntar
se a fome que você sente é física ou emocional. Pequenas mudanças, alinhadas ao
seu ritmo e às suas necessidades, podem transformar a maneira como você se
relaciona com a comida.
Ao celebrarmos o dia da Mulher, meu convite é simples: abrace o autocuidado como
uma forma de resistir à pressão estética. Valorize cada conquista, por menor que
pareça, e lembre-se de que você merece cuidar do seu corpo e da sua mente com
todo o carinho. Esse é o verdadeiro ato revolucionário.

Lorena Cristina

Lorena Cristina

Nutricionista clínica e comportamental, desenvolvendo uma abordagem acolhedora e prática para uma alimentação saudável e sustentável. Acredito no autoconhecimento como o caminho para o emagrecimento duradouro e saudável.

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